domingo, 17 de fevereiro de 2008

Santo Daime: agora pode

Resolução federal legaliza o uso religioso da ayahuasca, bebida que ficou famosa na década de 80 por ser usada por artistas. Os seguidores defendem que o chá promove o caminho para o autoconhecimento. Os contrários alegam que ele causa alucinações


Cinturão Verde As duas plantas presentes no preparo da bebida ayahuasca - o cipó mariri ou jagube (Banisteriopsis caapi) e a folha chacrona ou rainha (Psychotria viridis) - são encontradas na Amazônia.

Após décadas de controvérsia, na segunda-feira, 8, saiu publicada no Diário Oficial da União a resolução do Conselho Nacional Antidrogas (Conad) que reconhece como prática legal o uso da ayahuasca para fins religiosos.

A polêmica em torno do chá envolve suas propriedades psicoativas (embora não possua substâncias psicotrópicas na origem, o chá possui DMT - dimetiltriptamina -, que provoca alterações na consciência). As duas plantas presentes no preparo da bebida - o cipó mariri ou jagube (Banisteriopsis caapi) e a folha chacrona ou rainha (Psychotria viridis), separadas, não têm qualquer efeito sob o organismo, mas, quando fervidas juntas, resultam na ayahuasca, bebida amarga de cor amarronzada. Os contrários à liberação da ayahuasca afirmam que ela pode provocar alucinações, logo, tem efeito similar a uma droga como o ácido lisérgico. O chá chegou a estar na lista de substâncias proibidas pela Divisão de Medicamentos (Dimed), mas a medida foi suspensa provisoriamente em fevereiro de 1986. A suspeita de que a bebida seria alucinógena está descartada na resolução publicada no dia 8. A decisão do Conad é baseada no parecer da Câmara de Assessoramento Técnico-Científico do Conad. Ainda segundo a resolução, será criado um grupo multidisciplinar para "fazer o levantamento e o acompanhamento do uso religioso da ayahuasca e das pesquisas para seu uso terapêutico".

FIÉIS -
A bebida é usada por mais de 12 mil seguidores da União do Vegetal, do Santo Daime e de outras entidades religiosas que defendem que, tomando o chá, se atinge um estado de miração (quando se entra em contato com o Espírito Santo e tem início um processo de autoconhecimento e melhor compreensão do mundo.)

De origem amazônica, o chá foi descoberto por índios há milhares de anos e era amplamente usado pelos pajés. Foi "redescoberto" por seringueiros no início do século passado. Entretanto, nos últimos anos, vem ocorrendo uma popularização da bebida nos grandes centros urbanos. O fenômeno foi destacado pela pesquisadora Beatriz Caiuby Labate em seu livro A Reinvenção do Uso da Ayahuasca nos Centros Urbanos (Editora Mercado de Letras).

Resolução federal legaliza o uso religioso da ayahuasca, bebida que ficou famosa na década de 80 por ser usada por artistas. Os seguidores defendem que o chá promove o caminho para o autoconhecimento. Os contrários alegam que ele causa alucinações

Cinturão Verde As duas plantas presentes no preparo da bebida ayahuasca - o cipó mariri ou jagube (Banisteriopsis caapi) e a folha chacrona ou rainha (Psychotria viridis) - são encontradas na Amazônia.

Após décadas de controvérsia, na segunda-feira, 8, saiu publicada no Diário Oficial da União a resolução do Conselho Nacional Antidrogas (Conad) que reconhece como prática legal o uso da ayahuasca para fins religiosos.

A polêmica em torno do chá envolve suas propriedades psicoativas (embora não possua substâncias psicotrópicas na origem, o chá possui DMT - dimetiltriptamina -, que provoca alterações na consciência). As duas plantas presentes no preparo da bebida - o cipó mariri ou jagube (Banisteriopsis caapi) e a folha chacrona ou rainha (Psychotria viridis), separadas, não têm qualquer efeito sob o organismo, mas, quando fervidas juntas, resultam na ayahuasca, bebida amarga de cor amarronzada. Os contrários à liberação da ayahuasca afirmam que ela pode provocar alucinações, logo, tem efeito similar a uma droga como o ácido lisérgico. O chá chegou a estar na lista de substâncias proibidas pela Divisão de Medicamentos (Dimed), mas a medida foi suspensa provisoriamente em fevereiro de 1986. A suspeita de que a bebida seria alucinógena está descartada na resolução publicada no dia 8. A decisão do Conad é baseada no parecer da Câmara de Assessoramento Técnico-Científico do Conad. Ainda segundo a resolução, será criado um grupo multidisciplinar para "fazer o levantamento e o acompanhamento do uso religioso da ayahuasca e das pesquisas para seu uso terapêutico".

FIÉIS - A bebida é usada por mais de 12 mil seguidores da União do Vegetal, do Santo Daime e de outras entidades religiosas que defendem que, tomando o chá, se atinge um estado de miração (quando se entra em contato com o Espírito Santo e tem início um processo de autoconhecimento e melhor compreensão do mundo.)

De origem amazônica, o chá foi descoberto por índios há milhares de anos e era amplamente usado pelos pajés. Foi "redescoberto" por seringueiros no início do século passado. Entretanto, nos últimos anos, vem ocorrendo uma popularização da bebida nos grandes centros urbanos. O fenômeno foi destacado pela pesquisadora Beatriz Caiuby Labate em seu livro A Reinvenção do Uso da Ayahuasca nos Centros Urbanos (Editora Mercado de Letras).


Dentro da Lei O governo federal recebeu da Organização das Nações Unidas (ONU) um relatório preliminar indicando que o organismo emitirá parecer favorável ao consumo da ayahuasca em cerimônias religiosas.

RAVE E CHÁ - Em Minas Gerais, uma rave chamada Ayahuasca Visions foi anunciada, mas o protesto de três centros ligados ao Santo Daime conseguiu impedir que a festa acontecesse. "O risco de a ayahuasca virar droga para diversão existe, mas é mínimo. As reações corporais e psicológicas são muito fortes", afirmou à revista Época o secretário Paulo Roberto Uchôa, da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Entre as reações físicas causadas pela bebida está a diarréia.
ALERTA - A cantora Margareth Menezes, integrante da União do Vegetal, é favorável à regulamentação do uso religioso do chá, mas faz uma ressalva: "É positivo, mas para as pessoas que sabem o valor que o chá tem. É importante ressaltar que isso não é uma brincadeira, é muito sério." Algumas iniciativas têm utilizado o chá para a recuperação de dependentes químicos. "Eu tive um lance de birita e pó muito forte na minha história. Tive uma experiência no Daime que chamaria de espiritual e parei de cheirar", declarou em 2000 o cantor e compositor Peninha.

O novo milênio parece ser um momento de reavaliação da ayahuasca e seus efeitos. No final dos anos 80 e início dos anos 90, uma série de reportagens causou polêmica ao relatar que aconteciam manipulação de menores, lavagem cerebral, curandeirismo e indução ao suicídio e ao afirmar que o chá era uma droga "aceita pelo governo". Artistas como Lucélia Santos viraram alvo de piadas e foram massacrados por parte da mídia. "Não tenho interesse em falar sobre ayahuasca", disse Lucélia, ao atender a ligação da reportagem na sexta-feira, 12. Em entrevista a QUEM em julho, Maitê Proença, que também foi vinculada à ayahuasca, declarou: "No Rio de Janeiro, as pessoas têm preconceito, acham que o chá é uma droga. Ele é um divisor de águas na minha vida. Fui criada para ser atéia e, quando você descobre Deus, é fascinante, revelador", afirmou.

Fonte:globo.com
Santo Daime: agora pode
Edição 219 - Nov/04

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