quarta-feira, 12 de março de 2008

Homenagem ao meu PAI


Hoje fazem três meses que meu pai faleceu, e ainda não consigo acreditar em tudo isso, mesmo sabendo que agora são só lembranças e saudades.
Mas sei que um dia vamos nos encontrar novamente e acabar com toda essa dor que mora em meu coração, até por que estamos aqui só de passagem.
Minha estrela meu anjo mais lindo do céu.
Pai pra sempre vou te amar.




A HORA DA MORTE

De todas as certezas que pode ter o ser humano, a morte é sem dúvida uma delas.
Quem nasce já está fadado à morte. Mensageira estranha, por vezes, abraça antes os mais jovens e os mais sadios, deixando para trás idosos e doentes.
Contudo, sempre chega. Paradoxalmente, é um dos assuntos que quase todo mundo evita tocar.
É por isso mesmo que, quando chega, sempre surpreende.
Também por esse motivo, muitas lágrimas são derramadas sobre os túmulos.
Lágrimas que se casam a exclamações como: “Ah, se eu soubesse que era o seu último dia! Se eu soubesse que ele iria morrer, não teria sido tão mau! Se eu soubesse que ele partiria tão cedo, teria abraçado mais, dito como o amava, sido melhor para ele.”
Por tudo isso, é bom considerar que nossa existência é muito efêmera. Hoje estamos aqui, amanhã poderemos não nos encontrar mais deste lado da vida.
O ser amado que se despede para o trabalho diário, pode não retornar. A criança que corre pela rua, rumo à escola, pode não voltar para casa.
Como a irmã daquele menino de apenas 10 anos. Ele entrou em casa e chamou pela mãe.
Ela estava no quarto, sentada, quieta.
“Sua irmã morreu esta manhã, Michael.” – foi o que disse.
O conceito de morte não tinha um significado concreto para aquele garotinho.

Durante muito tempo ele perguntava à mãe: “ela vai voltar? Por que ela teve de morrer?”
E ficava em frente à casa, esperando que o ônibus escolar a trouxesse de volta.
Entrava no quarto dela e apanhava a sua pasta escolar. Tudo estava bem arrumado – os cadernos de um lado, os livros do outro, o estojo de lápis no meio.
A faixa preta de elástico que ela usava nos cabelos quando foi para o colégio naquela manhã.
Depois, devolvia tudo certinho no seu lugar. Perguntava-se, se a irmã ficaria zangada por ele ter mexido em suas coisas.
O que ele realmente jamais esqueceria foi o que aconteceu duas noites antes da irmã morrer.
Ele esperou o ônibus que a trazia da escola. Estava preocupada. Esquecera de um trabalho de arte que devia entregar no dia seguinte.
Ele a foi ajudar e juntos fizeram 12 borboletas coloridas, de antenas enroladas e asas triangulares.

No dia em que ela morreu, ele estranhamente despertou mais cedo.
Observou-a se aprontando para a escola.
Como o vão da escada no prédio era muito escuro, ele ficou segurando a porta aberta para que a luz do apartamento a ajudasse enxergar os degraus.
Uma das mãos dela segurava a pasta, a outra balançava, enquanto descia os degraus.
Estava de uniforme azul. Tinha só 14 anos. E suas últimas palavras para Michael foram: “Até logo, irmão.”
Passadas mais de quatro décadas, Michael ainda guarda a lembrança de sua irmã.
Quando vê uma borboleta, recorda de imediato daquele último trabalho que fizeram juntos.
E espera. Porque, um dia, ele também fará essa viagem para o grande além.
Nesse dia, finalmente, ele a verá outra vez.
Ame muito. Usufrua a companhia dos afetos.
Quando um deles se for, poderá acalentar seus dias com as doces lembranças dos afagos compartilhados.
E isso amenizará sua grande saudade.

4 comentários:

Pamela Araújo disse...

É assim mesmo minha amiga.
A morte é algo normal nas nossas vidas, mas ainda não conseguimos nos acostumar com ela.
As lembranças são as melhores coisas que lhe resta, nada paga as lembranças que você tem com seu querido pai.
Guarde-as bem no coraçao...
Beijos Pam.

ॐShaninha Hortaॐ disse...

Eh verdade...
Obrigada pelo carinhooo
Te Adoooro
=*******

ciyamane disse...

Eu sinto muito pelo seu pai ó_ò...
mas que bom que vc entende esse lado, de que é uma viagem que todos um dia vão fazer... É exatamente isso que vc falou.. todos evitam tocar nesse assunto.. por isso que quando ocorre, todos ficam abismados e sem chão...
Quando toco nesse assunto com meu namorado, ele fica bravo comigo.. como se eu tivesse atraindo coisa ruim.. as pessoas ainda não sabem encarar direito..
Mas o que eu acredito.. é que seu pai partiu dessa pra melhor, ele se desvincilou dos sofrimentos fisicos e sabe e espera tranquilamente que um dia vocês irão se unir novamente.. como minha mãe diz.. quem sobre, é quem fica.. nao quem vai... bju pra vc!!

iris lara disse...

eu sinto muitoo...eu tbm perdi o meu pai...a ah muito ruimm...mas tenho certeza de q eu irei velo aindaa...