segunda-feira, 3 de março de 2008

Igreja do Trance Divino


Alto Paraíso (GO) é uma cidade conhecida por reunir seitas que acreditam que ali há um portal para se comunicar com extraterrestres e até com Machu Picchu, no Peru. Mas sempre há lugar para mais uma novidade no mundo dos “malucos beleza”. Agora uma vertente da música eletrônica, que anima as raves e leva as pessoas a dançar em êxtase, virou seita. É a Igreja do Trance Divino, que em vez de dízimo, cobra ingressos para as festas que produz.
Alto Paraíso, no planalto central, é conhecida como uma cidade mística com mais de 200 seitas religiosas. Um recorde para uma população de sete mil habitantes.
A música eletrônica inspirou um grupo de seguidores, que há dois anos fundou a Igreja do Trance Divino. “Você pode viver com alegria, com festividade, com diversão. Ao invés de sofrimento, arrependimento, pecado etc. É uma revolução, o trance revoluciona a vida das pessoas”, acredita a ministra da fé Anirit Kuyana.

Os líderes são batizados com nomes indianos e Jesus Cristo é chamado de “Ju Ju”. Sem uma sede própria os encontros acontecem em locais improvisados, como um salão que pertence a uma pousada da cidade. Mas para quem não é freqüentador, é difícil imaginar. O que parece ser uma festa, na verdade, é um culto religioso de uma igreja que já tem até registro em cartório. “A maioria dos pastores são DJs. E se for DJ tem que tocar bem, tem que estar com o som atualizado. A igreja preza pela competência musical dos pastores, diz o pastor Veet Prayas.
A Igreja do Trance Divino tem uma hierarquia. “Tem missionário, tem o profeta, tem o bispo, quer dizer, a bispa, o monge. E tem os santos. Tem a santa, que é a Rita Lee, que é a única santa viva”, explica o missionário Gauthana.

O grupo não gosta de revelar seus rituais e faz reuniões secretas para discutir assuntos como OVNIs e meio ambiente. “A gente está aqui para falar sério mesmo, para pregar a igualdade, a irmandade e para desejar um mundo melhor para todo mundo”, diz a pastora Shakti. “Nossa religião ela é basicamente musical. Então não existe muita coisa escrita, existe coisa tocada. Ela te leva num ritmo enorme e te solta lá em cima sozinho. E aí nisso a mente esvazia, você fica no nirvana, você fica sem o pensamento. É essa a delícia do trance: É misturar o básico ‘bate estaca’ da animal, do bicho que somos, com o espírito, com divindade”, Anirit Kuyana.

Fonte:http://jg.globo.com/

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