domingo, 23 de novembro de 2008

Dalai Lama diz que comunidade tibetana corre 'grande perigo'

DHARAMSALA - A comunidade tibetana corre um "grande perigo", advertiu neste domingo o Dalai Lama, ao reiterar que perdeu sua confiança nas autoridades chinesas após o fracasso de anos de negociações sobre o estatuto do Tibete. "Recentemente declarei que minha confiança nas autoridades chinesas era cada vez menor", declarou em uma concentração em Dharamsala (norte da Índia), onde mais de mil exilados tibetanos encerraram neste sábado uma semana de discussões sobre o futuro de sua luta.

"Nos próximos vinte anos, se não tivermos cuidado com nossos atos e nossa estratégia, a comunidade tibetana estará em grande perigo", disse. O líder espiritual e político budista, de 73 anos, lançou essa advertência após a reunião mais importante em 60 anos da comunidade tibetana em Dharamsala, onde o Dalai Lama vive exilado desde 1959.

Durante os debates, uma corrente defendeu a radicalização da posição dos exilados tibetanos e que não seja exigida apenas a simples autonomia do Tibete, e sim a independência. Mas essa estratégia foi descartada. Os cerca de 600 delegados reunidos decidiram neste sábado se alinhar à chamada "via média" defendida pelo Dalai Lama, que pretende obter uma ampla "autonomia cultural" em vez de lutar pela independência.

Realista, o Dalai Lama sabe que a China nunca aceitará perder sua soberania sobre o Tibete, que controla desde 1951. "Um determinado número (de exilados) declarou que se a 'via média' não der resultados em um futuro próximo, o povo tibetano se verá obrigado a modificar sua postura, passando a defender a total independência ou exigindo a autodeterminação", considerou neste sábado Karma Chophel, presidente do Parlamento tibetano no exílio.

Prêmio Nobel da Paz em 1989, defensor da não-violência a ponto de ter sido comparado a Gandhi, o Dalai Lama insiste incansavelmente para que os seis milhões de tibetanos mantenham a calma frente ao poder chinês.

Mas ele mesmo reconheceu o fracasso da reivindicação autonomista no final de outubro e revelou que está refletindo a respeito de uma estratégia mais radical do que a sua diplomacia de compromisso com Pequim.

Emissários do Dalai Lama e representantes chineses realizaram vários encontros desde 2002, mas as últimas negociações, realizadas no início de novembro na China, fracassaram. A China assegura que "nunca fará concessões", nem sequer de uma "semi-independência" do Tibete.

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