sexta-feira, 29 de maio de 2009

Mudras - Gestos das mãos de Buda

Para exemplificar “as mudras”, tomaremos as representações do Buda indiano.

A arte budista primitiva não representava plasticamente o Buda em respeito a um de seus princípios, segundo o qual a forma - o mundo material - não era importante.
Mas, em 325 a.C., os exércitos de Alexandre Magno invadiram a Ásia, trazendo consigo os hábitos dos gregos, para quem não era possível adorar um Deus do qual não tivesse uma imagem.
Envolvidos pela cultura grega, os artistas da região Gandhara (ao Norte do Paquistão) criaram Budas à imagem e semelhança dos Apolos gregos, respeitando porém, alguns traços descritos nas escrituras sagradas, como a urna, os lóbulos longos das orelhas e o crânio proeminente.

A urna é representada por um ponto ou pedra preciosa entre as sobrancelhas e simboliza o terceiro olho ou o olho da sabedoria; os lóbulos alongados indicam o uso de brincos pesados e preciosos, abandonados por Buda num gesto de renúncia às riquezas materiais; a protuberância craniana, interpretada às vezes como um penteado diferente pela cultura ocidental, simboliza sabedoria.
A partir da iconografia recolhida sobre Gautama Buda, ficaram conhecidos gestos típicos de mãos na representação do Deus.
• Segundo a lenda, o gesto da meditação (Dhyani-Mudrá) reproduz sua atitude quando, sentado, sob a árvore bodhi (figueira - também conhecida como "árvore da meditação"), mergulhou em profundo estado meditativo. As mãos repousam relaxadas, uma dentro da outra, enquanto a consciência do presente é suspensa. Através dessa mudra, Gautama Buda chegou ao nirvana, estado superior onde toda ansiedade desaparece. Os manuscritos relatam que ele conservou a postura por mais de quatro (4) semanas, com o corpo completamente imóvel.

• A segunda mudra é conhecida como gesto da iluminação ou gesto do apelo das testemunhas (Bhumisparsha-Mudrá). A mão direita toca o solo com as pontas dos dedos, enquanto as costas da esquerda repousam sobre os pés cruzados um sobre o outro. Depois de atingir o nirvana, Buda teria sido tentado por Mara, o Deus do Mal, que ofereceu suas belas filhas, o domínio sobre o mundo, e até mesmo a sua própria vida, para que pudesse experimentar também o nirvana. Ante as negativas de Buda, tentou convencê-lo do quão difícil seria transmitir seus conhecimentos à humanidade cheia de ignorância, ódio e desconfiança. Este apelo encheu de dúvidas o coração de Buda, mas resistindo à tentação, ele se propôs a não matar a fome de apenas um, e sim de todos - doravante actuaria como um mestre, para que outros pudessem encontrar a salvação. Numa última tentativa, Mara propôs-lhe que, como senhor de um mundo imaterial, Buda não teria direito sequer ao pequeno pedaço de terra sobre o qual estivera sentado. Mas, por suas boas ações em vidas anteriores, o mestre havia conquistado algum direito sobre aquele terreno. Assim, tocando no solo com a mão direita ele convocou a terra por testemunha; uma divindade se ergueu confirmando que ele havia cumprido com seus deveres e tinha direito de permanecer na Terra para anunciar sua doutrina.

• A terceira mudra é conhecida como gesto de pregação ou gesto de girar a roda (Dharma-chakra-Mudrá). As duas mãos encontram-se erguidas diante do peito, a esquerda acha-se voltada para o corpo, um pouco mais elevada que a direita, na direção oposta. Os polegares e indicadores tocam-se formando um circulo. O gesto sugere que Buda, pela primeira vez, colocara em movimento a "roda da doutrina", proferindo o seu famoso discurso de Benares, no bosque das gaselas, aos cinco díscipulos que o haviam abandonado.

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