quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sem apego e aversão

Para o budismo, o sofrimento está ligado aos três venenos-raiz da mente: lobha (desejo, apego), dosa (aversão, ódio) e moha (ignorância, cegueira). A psicóloga e escritora Bel Cesar, autora do livro “Mania de Sofrer” (Editora Gaia), disse que cada veneno está ligado ao outro. “Por ignorância, atribuímos ao mundo exterior uma qualidade de solidez, e assim, acreditamos poder possuí-lo. Isto nos leva a sentir desejo, pois passamos a crer que poderíamos desejar algo e obtê-lo sob nosso domínio. Quando percebemos que tudo não é permanente e que nada é possível de ser possuído, sentimos aversão”.

Sofrer significa a insatisfação com as experiências com as quais vivemos. Bel Cesar afirma que o problema das pessoas é que elas buscam algo que não existe. “Quando compreendemos que nossas expectativas estão baseadas em carências insaciáveis, começamos a entender como entramos e saímos das tramas de nossos conflitos emocionais”. Se o desejo e o apego forem extintos, o sofrimento deixa de fazer parte da vida.

Para se livrar das causas do sofrimento, é necessário um pouco de esforço. Para se alcançar a libertação do “eu”, deve-se trilhar o caminho do meio ou o nobre caminho óctuplo. Esse caminho óctuplo compreende oito verdades: compreensão correta, pensamento correto, fala correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta e concentração correta. “É necessário manter uma inabalável determinação. O esforço para não desanimar tem que ser constante, pois costumamos desistir quando algo se mostra além de nossas possibilidades imediatas”.

Monja Coen atenta para a perseverança no caminho da libertação: “Não devemos desistir. Se cairmos sete vezes, levantamos oito". A felicidade não vem do nada. “É preciso ter a intenção de mudar para conseguir algum resultado. Não adianta querer ser feliz sem mudança”.

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