sábado, 11 de dezembro de 2010

Noel Rosa - 100 anos

Noel Rosa, a paz do Rio de Janeiro (Ilustração Luquefar)

1910.
Um cometa no céu do Rio de Janeiro surge como um presságio. Maus
sinais ou boas novas para a cidade? O povo se inquieta, mas o
acontecimento pode nos dizer da vinda de um mestre a iluminar os nossos
dias, sem que ninguém perceba. No rastro do cometa nasce o poeta da
Vila, um sábio que viveria como um qualquer, com breve passagem pelo
planeta.

Corte no tempo. A cidade segue seu curso. Tudo passa depressa. Transeuntes já cantam uma boa nova: com que roupa eu vou?

Nova
dimensão e o sol poente se prenuncia, em tarde especial, delicada, que
arrebata um coração emocionado. Lembranças vêm como quem, diante do
espelho do tempo, olha pra si e chora. Noel recorda a terra de seus
passos, a cadência, a dolência, a magia. O Rio das divindades,
formosuras, das branduras e dos tocadores de violão, que encheram de
ternura seu pensamento adolescente.  Nada lhe será melhor que sua doce
memória. Naquela tarde, porém, já cansado se despede e adormece pela
última vez…

O mesmo Rio, cidade mulher que lhe ofereceu intensos
momentos de prazer e emoção, que lhe roubaram a saúde, se esvaece,
pouco a pouco, desde sua despedida. Cidade desatenta, por pouco não se
esquece daquele que foi seu mestre – um pouco ideólogo, um pouco
fundador, quem sabe um projetista inovador. Afinal, somos todos
criadores de nossas aldeias e o mestre terá ainda muito a nos dizer. Na
verdade foi ela, a cidade, sua mestra, que lhe ensinou as melhores
proezas da vida.

2010. Outra vez uma luz de esperança, como um
cometa, ilumina o céu do Rio de Janeiro. O morro alenta-se com o samba.
Na memória radiosa do cometa Noel a cidade se redescobre. O samba está
voltando a ocupar seu território! E já se canta pelas ruas: o samba, a
prontidão e outras bossas, são coisas nossas! Todos esperam que a
cidade maravilhosa possa reencontrar sua paz, reavivar seu encantamento
e reanimar sua alma feminina de cidade mulher! – como sempre desejou
Noel e como querem cariocas e admiradores.

Fonte: http://noelrosacentenario.wordpress.com

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