quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Maria Ângela Alvim (1926 - 1959)


Estou e não me respondo
 
Estou e não me respondo.
Assisto. Em mim se decide
um inútil afã e se some
a vida que me preside.

E passo, ainda... Meu nome
há muito não coincide
comigo se estar se consome
e tantas vezes me elide.

Me move o tempo mais frio
de tanto pranto afogado
num quase mito de mim.

Vou morando em desvario
quase em sonho inaugurado
para um começo, meu fim.


Maria Ângela Alvim 
Superfície
Toda Poesia
apresentação de Max de Carvalho
Assírio & Alvim
2002

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